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Frutas do Vale são mais exportadas por portos de Estados vizinhos

As frutas do Vale do São Francisco concentram as suas exportações em Portos dos Estados vizinhos

As exportações de frutas do polo Petrolina-Juazeiro continuam se concentrando em portos de outros Estados do Nordeste. Com uma unidade em Petrolina e outra em Juazeiro (ambas no Sertão do São Francisco), a empresa Special Fruit movimenta cerca de 600 contêineres por ano, mas não envia nem uma caixa de fruta pelo Porto de Suape. “No ano passado, 50% das nossas cargas saíram por Pecém (no Ceará), 30% por Natal (RN) e 20% por Salvador , na Bahia”, diz o diretor Administrativo e Financeiro da empresa, Ivanildo Barbosa.
 
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“A nossa maior preocupação é chegar logo. Evitamos navios que fazem muitas paradas. Em Pecém, conseguimos embarcar a carga numa linha que sai direto para Roterdã (na Holanda). Isso é muito importante para quem transporta um produto tão perecível como fruta”, explica Ivanildo.

O Porto mais próximo do polo de fruticultura irrigada é o de Salvador, a 513 km de Petrolina. O de Suape está a 749 km e o de Pecém, a 835 km. Por isso, o frete rodoviário mais barato é o de Salvador. “Direcionamos a nossa carga a Pecém, porque é mais eficiente. Já ocorreu, pelo menos umas cinco vezes, de enviarmos contêineres para Salvador e o navio não conseguir atracar lá por causa de congestionamento de embarcações. Resultado: tivemos que pagar outro frete para o mesmo contêiner embarcar em Pecém”, afirma.

O frete para Pecém pode até ser mais caro entre os três portos citados acima. No entanto, o custo do THC (movimentação de um contêiner no porto até embarcar dentro do navio) em Pecém é mais barato do que em Suape. “Cada contêiner fica por R$ 500 a mais em Suape”, argumenta Ivanildo, sem revelar exatamente o preço. </DC>A Special Fruit manda uva e manga para Holanda, Inglaterra, Espanha e Estados Unidos.

Também instalada em Petrolina, a Cooperativa Agrícola Nova Aliança divide a sua exportação nos portos de Salvador (60%) e Pecém (40%). Anualmente, envia cerca de 200 contêineres de uva ao exterior. Somente para o leitor ter uma ideia, cada contêiner armazena em média 14 toneladas de uva.

A cooperativa usa o Porto de Suape somente para importação das cumbucas (caixinhas de plástico) usada na embalagem das frutas. “O frete de Petrolina para o Porto de Salvador é mais barato. Usamos Pecém quando temos pressa para exportar a produção”, conta a gerente de logística da cooperativa, Barbara Siqueira.

PESQUISA

O Porto de Suape foi usado para escoar 37,31% de tudo que o Estado enviou ao exterior entre 2010 e 2015, segundo a pesquisa Mapeamento das Exportações em Pernambuco realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). O levantamento mostra que 13,22% das exportações pernambucanas foram escoadas por outros portos do Nordeste. “ As frutas saem principalmente por Pecém e Salvador que têm mais linhas com contêineres refrigerados do que Suape”, argumenta o gerente de Desenvolvimento Empresarial da Fiepe, Maurício Laranjeira. E acrescenta: “o preço do THC em Suape é quase 50% a mais do que é cobrado em Pecém”, o que foi apontado pelos exportadores entrevistados na pesquisa.

A realização de uma licitação para Suape ter um segundo terminal de contêineres é apontada pelo diretor de Planejamento e Gestão do Porto de Suape, Jaime Alheiros como uma das iniciativas que podem contribuir para a estatal ficar mais competitiva nesse tipo de carga. “Com a concorrência, ou a empresa baixa o custo ou perde a movimentação”, conta. A direção da estatal está animada com a possibilidade de realizar a licitação porque espera que o presidente Michel Temer altere a atual lei que regula os portos na sua vinda a Pernambuco no próximo dia 27. Na ocasião, o presidente deve assinar um decreto devolvendo à autonomia ao Porto de Suape.


O porto pernambucano já nasceu com a sua administração delegada ao Estado de Pernambuco pela União. Em 2013, a então presidente Dilma Rousseff (PT) assinou a lei federal 12.815 tirando a autonomia dos portos delegados, incluindo o de Suape, e concentrando todas as principais licitações, como as de arrendamentos, em órgãos federais em Brasília. Essa alteração fez a licitação para o segundo terminal de contêineres ficar em ritmo de espera. Com a possibilidade de alteração da lei, o governo do Estado encomendou um estudo de viabilidade econômica para o empreendimento. A intenção é fazer a licitação no primeiro semestre de 2018.

“A nossa intenção é recuperar a carga de contêineres refrigerados e as rotas de longo curso para os países consumidores das nossas frutas”, argumenta Jaime. Ele diz que há uma articulação para a implantação de uma nova linha de navegação que sairá de Suape direto para o Porto de Koper, na Eslovênia ( Europa).

 Fonte: http://jconline.ne10.uol.com.br

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