Enquanto o café solúvel avança com cronograma e exigências ambientais, frutas ganham espaço mais rápido no mercado europeu

O agronegócio brasileiro está cada vez mais perto de acessar o mercado europeu. Isso porque o acordo entre Mercosul e União Europeia entra em fase de implementação provisória a partir desta sexta-feira, 1º de maio. Foram mais de duas décadas de negociação.
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Café solúvel: avanço gradual e pressão regulatória
De um lado, oportunidades de mercado; de outro, efeitos que variam de setor para setor. No caso do café solúvel, o acordo prevê um cronograma de desgravação — termo técnico utilizado — ao longo de quatro anos. Já no primeiro período, há um abatimento inicial de 1,8 ponto percentual. Atualmente, a tarifa sobre o produto é de 9%.
Segundo Aguinaldo José de Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o movimento tende a recuperar espaço perdido pelo Brasil no mercado europeu. “Há 15 ou 16 anos o Brasil vendia 30% a mais para a União Europeia do que comercializa hoje”, afirma.
Nesse contexto, a avaliação da entidade é de que, mesmo em fase provisória, o acordo já gera impacto positivo. Lima destaca que as empresas associadas foram orientadas previamente e estão em negociação com clientes europeus, que passaram a demandar informações sobre o novo cenário tarifário.
A expectativa é de crescimento gradual das exportações à medida que a tarifa for reduzida.
Frutas: ganho mais direto e cenário misto
No setor de frutas, o impacto do acordo tende a ser mais imediato, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, terão tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo, enquanto outras seguirão cronogramas de redução ao longo de quatro, sete ou até dez anos.
Para Waldyr Promicia, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o cenário é misto, mas positivo. “Depende da fruta. Há produtos com tarifa zero imediata e outros com cronograma de desgravação”, explica.
Segundo ele, ainda é cedo para estimar números consolidados, mas a tendência é de aumento da competitividade e da abertura de novas oportunidades no mercado europeu.
Janela de oportunidade com desafios estruturais
Para Vargas, a redução de tarifas amplia o acesso, mas a consolidação da competitividade brasileira no mercado europeu dependerá de ajustes internos, da organização de dados e da adaptação às exigências do bloco. “Não é um problema de produção. É um problema de arquitetura de conformidade”, avalia.
A leitura geral, segundo o especialista, é que o “1º de maio inaugura uma janela tarifária, mas não inaugura, sozinho, uma nova era de competitividade com o bloco europeu.”
“Os países que são críticos ao acordo [como França], estão com mãos atadas. Não podem mais interferir na parte comercial”, conclui.
Fonte: Canal Rural


