Mercado asiático responderá, até 2030, por mais de 40% do consumo mundial de frutas, assinala Abrafrutas
“Trabalhamos com estimativas de que a Ásia responderá, até 2030, por mais de 40% do consumo mundial de frutas”, disse, acrescentando que as projeções são altamente positivas – para além da uva -, contemplando ainda abacate avocado, manga, melão, melancia, entre outros produtos, contribuindo para que as exportações brasileiras de frutas possam atingir cerca de US$ 2 bilhões até 2028.

Hoje, segundo o dirigente, a União Europeia responde por aproximadamente 70% do que a fruticultura nacional exporta, Reino Unido (15%) e Estados Unidos (10%). “Exportamos apenas 3% do que produzimos. O potencial de crescimento é gigantesco.” No ano passado, a receita das exportações se situou em torno de US$ 1,5 bilhão, uma alta próxima a 12%.
Geopolítica e logística
Nesta agenda, Brandão reforça a importância da parceria entre Abrafrutas e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para divulgação do produto nacional no exterior. O dirigente também pontua que a despeito de toda sorte de incertezas do cenário geopolítico global, os primeiros embarques, sob o guarda-chuva do acordo Mercosul-União Europeia, já estão acontecendo – a começar pela uva, que já ingressa no mercado europeu com tarifa zero. Por outro lado, o risco de novo tarifaço Trump preocupa.
Ademais, Brandão assinala, ainda, que a logística de escoamento permanece como um desafio histórico e estrutural para o embarque de frutas, exatamente pela característica de que se trata de um item perecível, o que adiciona um problema a mais para mercados mais distantes. “Mamão, por exemplo, só pode ser exportado por via aérea, que é muito mais cara.”
Diante desta lógica, o dirigente conta que o setor exportador enfrenta dificuldades relacionadas ao preço do frete, seja ele marítimo ou aéreo, bem como à oferta de navios e a dependência de rotas compartilhadas com outras cargas, já que pelo fato de ainda não exportamos grandes volumes a reserva de contêineres ou embarcações exclusivas é mais difícil.
Neste quadro, Brandão recorda que vizinhos como Chile e Peru têm vantagens, tanto geográfica, devido à rota para Ásia pelo Pacífico, assim como de volume, porque conseguem embarcar montantes que dispensam a necessidade compartilhamento com outros produtos.


