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Grande dia! Chegou a 1ª variedade de laranja resistente ao amarelinho

Além da cultivar que não sofre com umas das mais importantes doenças da citricultura, também estão sendo lançados laranja-doce e limão-taiti precoces

laranja resistente ao amarelinho (CVC)

Foto: Eduardo Stuchi/Embrapa

A citricultura brasileira está ganhando uma grande novidade: uma variedade de laranja naturalmente resistente à bactéria causadora do amarelinho. A doença, chamada também de clorose variegada dos citros (CVC), assombra os pomares brasileiros desde os anos 1980, podendo ser disseminada por insetos vetores ou mudas contaminadas.

Batizada de Navelina XR, a laranja será apresentada nesta terça-feira (30) durante a 48ª Expocitros e a 44ª Semana da Citricultura, que acontece até 2 de junho, em Cordeirópolis (SP).

Ela está sendo lançada juntamente com uma variedade de laranja-doce e outra de limão-taiti, ambas precoces. As três são resultantes de pesquisa em parceria entre a Embrapa, a Fundação Coopercitrus Credicitrus (FCC) e o Centro de Citricultura Sylvio Moreira (CCSM), vinculado ao Instituto Agronômico (IAC).

Conheça as 3 novas variedades de citros

Navelina XR

Indicada para consumo in natura, a Navelina XR é a única laranjeira naturalmente resistente à bactéria causadora da clorose variegada dos citros (CVC), sem sofrer danos nem sendo hospedeira ou fonte de inóculo relevante.

“Ela é uma excelente alternativa para cultivo na presença dessa doença, já que dispensa podas ou controle dos vetores, o que deve ser mantido para outras laranjeiras, como a pera. Além disso, o mercado brasileiro tem carência de oferta de variedades de laranjas de mesa precoces, particularmente de umbigo, e com frutos de boa qualidade”, afirma o pesquisador da Embrapa Eduardo Stuchi.

A variedade apresenta frutos típicos de laranja Baianinha: sem sementes, com maturação precoce a meia-estação e que se conservam nas plantas após atingirem a maturidade comercial, mas com certo grau de granulação. A produtividade média é de 15 kg/planta aos 4 anos de idade e 100 kg/planta aos 10 anos.
É indicada para o estado de São Paulo, preferencialmente em regiões com temperatura mais amena.

Helvecio Della Coletta Filho, pesquisador do CCSM, participou dos testes de respostas da Navelina XR à infecção por Xylella fastidosa, a bactéria causadora do amarelinho, realizados no Laboratório de Fitopatologia da instituição. “Mesmo com infecção, não foi observada diminuição no tamanho dos frutos ou sintomas foliares severos. Alguns sintomas foliares foram observados, mas com posterior regressão”.

“Em condições de alta severidade de CVC, a variedade poderia ser uma opção de cultivo para quem quer produzir laranja de mesa. Porém, como é uma variedade de umbigo, não é recomendada para processamento industrial”, afirma.

lançamento de variedade de laranja da Embrapa

Foto: Eduardo Stuchi/Embrapa

Alvorada, ‘laranja multiuso’

“Uma laranja multiúso”. Assim o pesquisador Eduardo Stuchi define a laranjeira-doce precoce BRS IAC FCC Alvorada, uma vez que, graças ao sabor, ela pode ser usada tanto para mercado in natura como para produção de suco concentrado congelado como de suco pasteurizado (NFC, do termo em inglês “not from concentrate orange juice” ou suco não concentrado).

“Com maturação precoce e boa produção em relação às laranjeiras Westin e Hamlin, ela produz mais sólidos solúveis totais [total de todos os sólidos dissolvidos na água, incluindo açúcar, sais, proteínas, ácidos etc.] e uma excelente cor de polpa. Ela agrada mais ao paladar e com um adicional, o de ter zero a três sementes, podendo ir para o mercado de fruta fresca. Até pouco tempo atrás, a indústria de suco só produzia suco concentrado, mas, com a exigência do NFC, as principais precoces como Hamlin não atendem bem. Ou seja, ela pode diversificar essas variedades tradicionais”, diz.

Eduardo Augusto Girardi, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, confirma o que diz o colega. “Hoje existe a necessidade de laranjas precoces e a Alvorada atende a um nicho, diante de suas qualidades”.

A variedade foi avaliada inicialmente nas condições de clima de Bebedouro (SP), na região norte do estado de São Paulo, que apresenta clima subtropical, com inverno moderado e seco, sendo necessário uso de irrigação. Esse tipo de clima engloba também parte da região central do estado.

“No entanto, observamos seu melhor desempenho nas condições do sudoeste e extremo sul de São Paulo, devido à sua excelente qualidade de frutos e à baixa incidência de seca fisiológica de ramos sob clima mais ameno. A variedade pode ser enxertada em citrumelo ‘Swingle’, tangerineira ‘Sunki’, tangerineira ‘Cleópatra’ e limoeiro ‘Cravo’.

A BRS IAC FCC Alvorada foi validada em Bebedouro por 14 anos, durante dez safras. “Passei metade da minha carreira profissional vendo o desempenho dessa laranjeira”, conta Stuchi.

Limão-taiti Ponta Firme

Inicialmente, a variedade é indicada para as regiões centro, norte e noroeste do estado de São Paulo, preferencialmente em áreas irrigadas. Além do citrumelo Swingle, os outros porta-enxertos indicados são os trifoliatas Flying Dragon e comum, a tangerineira Sunki BRS Tropical, os limoeiros Cravo e Volkameriano e os citrandarins Índio e San Diego.

Precoce na entrada de produção, a variedade produz, de forma natural, sem nenhum tratamento, mais frutos no segundo semestre quando irrigada. “A partir de agosto, começa a subir o preço do limão. Com o BRS EECB IAC Ponta Firme, o produtor pode ter mais renda, pois a produção começa antes. Ele equilibra preço e favorece os exportadores. Existem vários tratamentos que os produtores fazem no cultivo. Imagino que, submetido a tratamentos, deve ‘bombar’ de frutos”, acredita Stuchi.

A produtividade do novo limão impressiona, pois tem alcançado média de 80 toneladas por hectare, 242% superior à média do estado de São Paulo, maior produtor brasileiro.

Citros de acesso fácil ao produtor

Em comum acordo entre as três instituições, a laranjeira-doce precoce Alvorada, a laranjeira-de-umbigo Navelina XR e o limoeiro Ponta Firme passaram pelo Registro Nacional de Cultivares, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que concederia “paternidade” das variedades a apenas uma das instituições.

No entanto, os pesquisadores frisam que elas não estão protegidas, o que facilita o acesso pelo produtor. “São acessos antigos que carregam o esforço de muitas instituições e nós entendemos que o lançamento deveria ser em conjunto. Além disso, são materiais que já estão sendo cultivados pelos produtores em pequena escala, o que demonstra que já são de domínio público”, diz Eduardo Augusto Girardi.

Fonte: Canal Rural