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Projeto capacita centenas de agricultores e extensionistas em tecnologias para produção familiar no Semiárido

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Um projeto de transferência de tecnologia liderado pela Embrapa Semiárido (Petrolina-PE) promoveu ações de capacitação para mais de 450 agricultores e extensionistas nos estados de Pernambuco, Bahia e Ceará. Os treinamentos envolveram cinco temáticas ligadas à produção familiar: aproveitamento agroindustrial de frutas, criação de abelhas-sem-ferrão, reuso de águas cinza, produção de sementes e mudas da Caatinga e compostagem e aproveitamento de resíduos.

Denominado “Capacitação de Extensionistas e Famílias Agricultoras em Tecnologias de Convivência com o Semiárido”, o projeto foi uma parceria entre a Embrapa e o Projeto Dom Helder Câmara (PDHC), executado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

 

A coordenadora das atividades e pesquisadora da Embrapa Semiárido, Clívia Castro, explica que a iniciativa buscou o fortalecimento da produção familiar na região. “O projeto foi uma importante ponte entre a pesquisa e a prática, no intuito de melhorar a atividade produtiva das famílias agrícolas e fortalecer o processo de adoção das tecnologias que já vêm sendo trabalhadas pela Embrapa em um contexto bem atual, que é o de bioeconomia”.

Castro lembra que as ações tiveram início em novembro de 2021, ainda no período da pandemia, com a realização de alguns encontros virtuais. “No começo foi um desafio, mas, ao mesmo tempo, a facilidade da participação remota contribuiu para conhecer melhor as famílias antes das visitas presenciais. Assim, foi possível entender as atividades econômicas já realizadas e selecionar os temas de interesse dos grupos”.

Dos diferentes perfis que integraram o projeto, as mulheres rurais tiveram participação destacada, representando 68% do público alcançado.

“Elas desempenham funções importantes dentro das lideranças e na rotina das comunidades rurais. Assim, o projeto buscou justamente oferecer oportunidades de incremento de renda e de inserção de novas atividades agrícolas e promover para essas famílias, com um papel feminino mais atuante, ações para melhorar a qualidade de vida nas comunidades”, destaca a Chefe-geral da Embrapa Semiárido, Maria Auxiliadora Coêlho de Lima.

 

Uma dessas participantes foi a agricultora Maria de Lourdes Ferreira, da Comunidade de Ouricuri, em Uauá-BA. Ela integrou as capacitações sobre reuso de águas cinza, recebendo instruções para implementação do sistema bioágua familiar em sua propriedade, com a integração do sistema à produção de frutas.

Dona Maria conta que antes a água das pias e chuveiro era jogada nos terreiros, sem nenhum tratamento, e isso muitas vezes trazia problemas com insetos e mau odor.

“Agora essa água volta tratada para a gente irrigar as plantas. Pra mim, foi uma maravilha que não tenho nem palavras pra agradecer. A gente não conhecia essa tecnologia e hoje temos um quintal produtivo, mesmo fora da época de chuva”.

 

Para a agricultora guardiã de sementes Elisângela Alves de Remanso-BA, os conhecimentos repassados sobre a manutenção da qualidade de sementes crioulas e nativas, e as oficinas de inovação e empreendedorismo foram importantes para o desenvolvimento das atividades e manutenção do banco de sementes da comunidade.

“O Banco de Sementes serve para a gente guardar, serve para a gente se alimentar, vender e comprar outras coisas que a gente precisa. Então, o projeto trouxe muitos ensinamentos para darmos continuidade a essas atividades de coleta e conservação de sementes, sempre buscando a diversificação e preservação”.

Metas dos Projeto

As capacitações foram guiadas por cinco metas, todas englobando temas da produção familiar no Semiárido. A primeira delas envolveu o aproveitamento agroindustrial de frutas nativas como o umbu, o maracujá-da-caatinga e o licuri, e também aquelas cultivadas com irrigação no Semiárido, caso da banana e da manga. Foram apresentadas tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para o processamento de frutas e aumento de qualidade e vida útil na elaboração de doces e geleias.

 

A segunda meta tratou da criação de abelhas-sem-ferrão, com capacitações realizadas junto a grupos que já trabalhavam com a atividade, a maioria também de mulheres. Os tópicos abordaram as ferramentas utilizadas para a atividade, bem como as orientações para alimentação das abelhas e coleta do mel.

Na meta três, o foco foi incentivar o empreendedorismo feminino a partir da coleta, conservação e produção de sementes e mudas da Caatinga. Além das informações técnicas, os treinamentos promoveram ampla discussão sobre a importância da atividade e da manutenção da qualidade de sementes crioulas e nativas, fomentando a conservação das espécies da Caatinga e do patrimônio genético por meio dos bancos de sementes.

A quarta temática envolveu o reaproveitamento de águas cinza para a produção de alimentos através do sistema Bioágua Familiar. A meta viabilizou a instalação de nove Unidades de Referência Tecnológica (URTs) em área de produtor, favorecendo diversas atividades práticas. Os treinamentos abordaram a instalação e manejo do sistema, o monitoramento da qualidade da água e do solo, e a produção de diferentes alimentos, viabilizando a disponibilidade hídrica, a sustentabilidade ambiental e a segurança alimentar do produtor rural.

 

A última temática tratou da compostagem e aproveitamento de resíduos no campo, também implantando URTs para as capacitações práticas. Durante os treinamentos, que contaram com grande participação feminina, os participantes receberam instruções técnicas para identificação de resíduos, preparo e utilização do composto.

“Todo esse trabalho veio fortalecer a produção familiar no Semiárido e ele não acaba com o encerramento do projeto”, destaca a coordenadora das ações. Castro ressalta que a transferência de tecnologia continuará, principalmente em razão das URTs que foram implantadas e também por meio de outros projetos que estão em construção.

“Com o sucesso das capacitações, esperamos que as famílias possam utilizar o conhecimento adquirido e as tecnologias da Embrapa para melhorar a sua atividade produtiva e também que elas possam atuar como agentes multiplicadores, levando esse conhecimento a outras famílias do entorno”, finaliza a pesquisadora.

Publicações e produção audiovisual

Além das capacitações, também foram produzidos materiais audiovisuais e publicações para ampliar o alcance das informações técnicas compartilhadas no projeto, que se encerrou em junho de 2023.

Foram elaborados dez folders e doze vídeos sobre as cinco metas, todos disponibilizados em plataformas digitais da Embrapa e também distribuídos nas comunidades beneficiadas e em eventos voltados para a agricultura familiar.

Os folders e os vídeos podem ser acessados no site da Embrapa Semiárido, nas seções de publicações  e  multimídia. Também estão disponíveis na Base de Dados da Pesquisa Agropecuária (BDPA) e no canal YouTube da Embrapa .

Fonte: Embrapa