Frete sobe, mas impacto sobre exportação, que se concentra no segundo semestre, é limitado
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Ao menos até o momento, a entressafra tem ajudado a limitar os impactos mais imediatos da guerra no Oriente Médio sobre as exportações brasileiras de frutas. O conflito encareceu o petróleo, o que tem elevado o custo do transporte no comércio internacional, mas, como os embarques da fruticultura nacional concentram-se no segundo semestre, a maioria dos exportadores tem passado ao largo do aumento do valor do frete.
“Para a maioria dos exportadores de frutas, a guerra ‘não pontuou’”, disse Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). O dirigente conversou com o Valor durante a programação da Fruit Attraction, feira que ocorreu em São Paulo e terminou na quinta-feira (26/3). Na segunda-feira (30/3), Coelho deixará o cargo, e o empresário Waldyr Promicia assumirá a presidência.
Cerca de 60% das exportações brasileiras de frutas ocorrem no segundo semestre, em particular nos meses entre setembro e dezembro, segundo estatísticas compiladas pela Abrafrutas. A maior parte dos embarques de manga e melão, por exemplo, que são as duas frutas mais importantes na parte de exportações do segmento, ocorre nessa época do ano.
Os embarques da nova safra costumam começar no fim de julho, diz Leandro Perna, gerente de logística de cargas refrigeradas da Maersk. No entanto, o volume começa a ganhar corpo efetivamente na “semana 34”, relata. Segundo Perna, muitos agentes da indústria consideram a 34 semana do ano, que cai em meados de agosto, um termômetro do ritmo das exportações de frutas.
“Se as coisas vão bem nessa semana, a tendência é que o resultado [das exportações] seja positivo [até o encerramento da safra]”.
Perna estima que, depois do início da guerra no Oriente Médio, o custo do frete marítimo teve acréscimos na faixa entre US$ 300 e US$ 600 por contêiner. Isso corresponde a cerca de 10%, a depender da carga e do destino.
A tendência é que o aumento seja mais forte no caso do transporte aéreo de cargas. Em painel de debates na Fruit Attraction, Patrícia Bello, diretor geral da GolLog, unidade de logística da Gol, comentou que, em abril, o preço do querosene de aviação (QAV) terá reajuste de 54% em abril. A GolLog não atua no transporte de cargas de frutas para o mercado externo.
A Gold Fruit, de Petrolina (PE), que produz manga, uva e melão no Vale do São Francisco, ainda não está fazendo embarques de duas das três variedades de manga que exporta. A exceção é a variedade palmer, que a empresa embarca ao longo de todo o ano.
Mario Otsuka, o presidente executivo da Gold Fruit, diz que a companhia sempre negocia com antecedência o valor do frete para transportar suas cargas no primeiro e no segundo semestre. “O pessoal já está começando a chiar”, afirma ele, em comentário sobre a tentativa dos operadores logísticos de antecipar o aumento do valor do frete. A Europa é o principal destino das exportações da empresa.
A Sebastião da Manga, também de Petrolina, atua tanto na exportação quanto na importação de frutas, e por diferentes modais. No caso do transporte rodoviário, o custo de uma carreta, que era de R$ 28 mil até poucas semanas atrás, subiu para R$ 32 mil após o início da guerra, afirma Robson Araújo, diretor executivo da empresa.
“Se a guerra se estender muito, vai complicar demais para o setor”, diz.
Fonte: Globo Rural


