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As exportações de maçã do Brasil aumentaram 180% no início de 2026.

As exportações brasileiras de maçã começaram o ano com uma mistura de recuperação e cautela. De janeiro a abril, o Brasil exportou pouco mais de 20.800 toneladas, um aumento de 180% em comparação com o mesmo período de 2015, quando foram exportadas apenas 7.400 toneladas. Embora o crescimento anual seja evidente, permanece abaixo dos níveis médios dos últimos anos.

Em comparação com a média de 2021-2025, o volume atual permanece 14% menor, indicando que a recuperação ainda não se estabilizou completamente. O setor considera isso uma melhora significativa em relação aos últimos anos mais fracos, mas ainda não atingiu os níveis totalmente normalizados.
Os dados são do COMEX STAT, o sistema oficial de comércio exterior do Brasil, embora as informações de abril ainda sejam provisórias e possam ser revisadas. Contudo, a tendência geral é evidente: após duas temporadas fracas, o país volta a ganhar impulso no mercado global de maçãs.

Essa melhoria é impulsionada pela safra de 2026, que proporcionou maior volume e, mais importante, frutos de qualidade superior e tamanhos maiores. Esse avanço possibilitou um maior volume de exportação sem afetar o abastecimento interno, mantendo um equilíbrio vital para a fruticultura brasileira.

A Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM) estimou a safra total entre 1,05 e 1,1 milhão de toneladas, representando um aumento de 10% a 15% em relação às safras anteriores. Além do maior volume, a notável melhora na qualidade tem sido um dos principais destaques, favorecida pelas condições climáticas relativamente estáveis ​​nas principais regiões produtoras.

No contexto regional, o Brasil também está ganhando peso em relação a outras origens. No mesmo período, a Argentina exportou cerca de 18 mil toneladas, devido à menor produção de variedades tintas. Essa comparação reforça o progresso relativo do Brasil, embora o mercado global permaneça intensamente competitivo e altamente dependente das condições climáticas.

Uma mudança significativa na estrutura comercial do Brasil é a ascensão da Índia como principal destino. De janeiro a abril, a Índia importou mais de 11.600 toneladas, representando quase 60% do total das exportações. Essa mudança evidencia uma recente reorganização do cenário exportador.

A crescente importância do mercado indiano decorre de sua grande população e da discrepância entre a produção local e a demanda. Com mais de 1,4 bilhão de habitantes e uma produção interna de aproximadamente 2,4 milhões de toneladas, a Índia não consegue suprir suas necessidades, o que a torna um alvo fundamental para fornecedores do hemisfério sul.

O comércio também foi afetado por mudanças regulatórias. Os novos requisitos fitossanitários introduzidos em 2025 não impediram os fluxos de importação, mas, ao contrário, ajudaram a formalizar e estruturar o acesso ao mercado, juntamente com acordos que apoiaram a abertura comercial.

O desenvolvimento dos destinos demonstra como alguns mercados perderam importância. Há dez anos, Bangladesh era o principal importador de maçãs brasileiras, e países como a Irlanda também desempenhavam um papel mais proeminente em safras anteriores.

As previsões para o restante do ano indicam uma recuperação contínua, embora seja improvável que atinja os picos extraordinários de 2021, quando as exportações ultrapassaram 60.000 toneladas. A perspectiva mais provável sugere que 2026 apresentará níveis de desempenho comparáveis ​​aos de 2022 e 2023, em meio a uma fase de maior estabilidade após vários anos de significativa volatilidade.

Fonte: Fresh Plaza