Rasip Agro produz 65 milhões de toneladas anuais em 1.400 hectares e implementa práticas sustentáveis que vão além da agricultura convencional
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A Rasip Agro, empresa especializada em fruticultura que opera 1,4 mil hectares de pomares de maçã em Vacaria (RS), está implementando um projeto ambicioso de transição para uma agricultura regenerativa. A iniciativa, que começou há cerca de dois anos, tem como meta transformar toda a área produtiva dentro desse novo lógica.
Segundo Celson Zancan, diretor de fruticultura da Rasip Agro, o objetivo é ter pomares mais equilibrados e estáveis, menos tratamentos fitossanitários, forte redução de químicos na nutrição e praticamente zerar herbicidas. “A expectativa é melhorar uniformidade das áreas (reduzir 10–15% de desuniformidade) e elevar produtividade”, diz.
“Nosso conceito central é ir além da base da sustentabilidade, que é ‘não deteriorar’ o meio ambiente. Nós buscamos melhorar o ecossistema enquanto produzimos”, completa.
A estratégia da empresa se concentra em dois pilares fundamentais: solo e água. A abordagem regenerativa desenhada por Zancan busca uma redução gradual especialmente de produtos químicos, apesar de reconhecer que não é possível zerar o uso neste momento. O agrônomo ressalta, entretanto, que será possível produzir maçãs com resíduo zero, num solo que estará mais saudável.
As práticas incluem ainda cobertura verde permanente, conhecida como “pontes verdes”, com uso de misturas de plantas entre as fileiras dos pomares. Esse sistema utiliza plantas “cicladoras” com diferentes profundidades de raiz para buscar nutrientes em camadas profundas do solo, sendo posteriormente roçadas para
Com assessoria técnica de Ademir Calegari, ex-pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e referência na área, a empresa desenvolveu diferentes composições para cada estação. O mix de verão inclui crotalária, braquiária, milheto, uma brassicácea e nabo forrageiro – este último se destaca por suas raízes de aproximadamente 50 centímetros, que melhoram a permeabilidade física do solo.
No inverno, a mistura muda: são utilizados trevo, aveia branca e preta, centeio e ervilha, para manter o solo coberto durante o período mais frio, enquanto a biomassa gerada é direcionada para ocultar as plantas através de uma “roçadeira ecológica”, mantendo maior umidade e controle.
Zancan explica que a transição está sendo feita de forma gradual, começando pelos pomares mais novos. Nos pomares já estabelecidos, a compactação causada pelo trânsito de tratores ao longo do tempo exige máquinas específicas e mais tempo de trabalho.
O desafio na prática fica por conta do manejo das frutas que caem durante a colheita, “que podem se tornar foco de contaminação na safra seguinte”, explica Zancan. A empresa está testando alternativas como aplicação de ácidos húmicos e fúlvicos (compostos naturais obtidos a partir do húmus) para acelerar a economia, evitando remover a camada superficial de matéria orgânica.
Para avaliar o progresso, a Rasip planeja incorporar análises físicas e biológicas do solo, além das análises químicas já realizadas. Além disso, a empresa vai financiar uma bolsa de doutorado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para desenvolver pesquisas e monitorar dados da produção ao longo do tempo.
Fonte: Globo Rural



