Conteúdo exclusivo preparado pela QIMA para os associados da ABRAFRUTAS
Nos últimos dois anos, agricultura regenerativa deixou de ser tema de nicho: Walmart e PepsiCo fecharam uma parceria de sete anos para viabilizar práticas regenerativas em mais de 2 milhões de acres de fazendas nos EUA e Canadá, com meta de reduzir cerca de 4 milhões de toneladas de CO2 até 2030. Mais de 40 companhias globais — Mondelēz, Unilever e FrieslandCampina entre elas assumiram compromissos públicos semelhantes por meio da iniciativa “Regenerating Together”. Para quem exporta fruta brasileira para a Europa, esse movimento já chegou na forma de exigência de compra, não de tendência distante.
O motivo: compromisso público e evidência técnica são coisas diferentes, e é nessa distância que mora o maior risco comercial do setor hoje. A EUDR e a CSRD já exigem due diligence documentada sobre a origem da matéria-prima agrícola. Segundo a Global Sourcing Survey da QIMA, apenas 18% das empresas do setor têm visibilidade completa da própria cadeia, do fornecedor ao produto final a maioria comunica compromissos regenerativos sem conseguir comprová-los com dado auditável.
Para exportadores de fruta, isso cria um risco duplo: internamente, o risco de compromissos que não resistem a uma auditoria de comprador; externamente, o risco comercial de perder contrato para concorrentes que já mostram evidência, não discurso.
Certificação relevante x selo decorativo
O critério que separa uma certificação regenerativa relevante de um selo decorativo é medir resultado ecológico, não apenas conformidade documental: carbono orgânico do solo, biodiversidade funcional, uso da água, emissões, direitos humanos e bem-estar animal, a partir de uma linha de base auditada e monitorada ao longo do tempo. É essa arquitetura seis pilares regenerativos e níveis progressivos Bronze, Prata, Ouro e Diamante que estrutura a Norma Regenera For Farm & Livestock, desenvolvida pela QIMA, com reconhecimento de equivalência técnica a normas já usadas por muitos produtores de fruta, como GLOBALG.A.P., além de Rainforest Alliance e ISCC.
Essa equivalência importa na prática: produtores que já têm auditoria GlobalG.A.P. não precisam recomeçar o processo do zero para obter evidência regenerativa auditável, reduzindo tempo e custo de qualificação frente a compradores europeus.
O que isso significa para quem exporta fruta
Para lideranças de qualidade e comércio exterior, três frentes concretas:
- Tratar rastreabilidade regenerativa como infraestrutura de negócio, e não como discurso institucional, para ter o que apresentar quando vier uma due diligence da EUDR ou a uma auditoria de cliente.
- Usar equivalência técnica com normas já adotadas, como o GlobalG.A.P., para acelerar, não duplicar, o processo de qualificação.
- Usar evidência mensurável como argumento comercial diante de compradores que já priorizam fornecedores com dado auditável, não promessa.
Agricultura regenerativa deixou de ser posicionamento de marca é exigência técnica formalizada em regulação europeia e usada como critério de seleção por grandes redes varejistas. A pergunta que fica para a fruticultura de exportação: sua empresa consegue provar, com dado auditável, o que promete sobre práticas regenerativas na sua cadeia ou está confiando na palavra do fornecedor?
Aprofunde o debate neste episódio: https://www.youtube.com/watch?v=dnhOiWTcVKo
Como sua empresa está lidando com essa exigência hoje? Fale com um especialista.



