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Depois que o fruto está pronto para ser colhido, começa uma etapa igualmente importante: preservar aquilo que foi produzido no campo – A qualidade do maracujá não é definida apenas durante o cultivo. Depois que o fruto está pronto para ser colhido, começa uma etapa igualmente importante: preservar aquilo que foi produzido no campo.
Um fruto bem formado pode perder valor rapidamente por uma colheita antecipada, queda no solo, excesso de exposição ao calor, danos mecânicos, embalagem inadequada ou armazenamento em condições desfavoráveis.
Isso acontece porque o maracujá apresenta elevada atividade fisiológica após a colheita. A Embrapa classifica o fruto como climatérico e destaca taxas respiratórias que podem variar de aproximadamente 175 a 349 mg de CO? kg?¹ h?¹ a 25 °C. A produção de etileno também é elevada, podendo chegar a 160 a 400 µL kg?¹ h?¹ a 20 °C durante o pico climatérico.
Na prática, isso significa uma coisa: depois de colhido, o maracujá continua mudando rapidamente.
Por isso, acertar o ponto de colheita e reduzir o tempo entre campo, beneficiamento e comercialização são decisões que interferem diretamente na vida útil do fruto.

O ponto de colheita do maracujá não deve ser definido apenas pela queda – Tradicionalmente, o maracujá-azedo (Passiflora edulis) é recolhido depois que cai naturalmente da planta. A queda ocorre porque, durante a maturação, forma-se uma zona de abscisão no pedúnculo, enfraquecendo a ligação entre fruto e planta.
O problema é que o fruto que cai no solo pode sofrer pequenos danos na casca, perder água e entrar em contato com fontes de contaminação.
Esses ferimentos aparentemente pequenos podem se transformar em portas de entrada para microrganismos. A própria Embrapa recomenda evitar a coleta diretamente do solo quando o destino é o mercado de frutas frescas.
Para a indústria, a coleta de frutos caídos ainda é utilizada. Nesse caso, a Embrapa recomenda lavagem e sanitização, citando solução com 200 mg L?¹ de cloro ativo.
Para o mercado in natura, entretanto, a estratégia mais interessante é colher o fruto diretamente na planta, desde que ele já tenha atingido maturidade fisiológica suficiente.
Quanto amarelo deve estar o maracujá na colheita? – Não existe um único percentual que sirva para todas as situações. A cultivar, época do ano, destino e logística interferem nessa decisão.
Um estudo publicado na Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental avaliou as cultivares BRS Gigante Amarelo, BRS Ouro Vermelho e BRS Sol do Cerrado em diferentes pontos de maturação.
Na safra de verão, os pesquisadores concluíram que os frutos deveriam apresentar pelo menos 55% da casca amarela para proporcionar menor perda de massa, melhor qualidade do suco e maior vida útil.
O estudo mostrou uma diferença bastante prática.
Frutos colhidos no primeiro estádio, ainda muito verdes, apresentaram perda de massa de aproximadamente: 8,88% na BRS Gigante Amarelo; 8,52% na BRS Ouro Vermelho; 8,89% na BRS Sol do Cerrado.
Já no segundo estádio, com cerca de 56% da casca amarela, a perda média foi de 5,14% após nove dias de armazenamento.
No terceiro estádio, a perda chegou a aproximadamente 2,87% na BRS Ouro Vermelho, 3,82% na BRS Gigante Amarelo e 3,72% na BRS Sol do Cerrado, em seis dias de armazenamento.
Ou seja, colher cedo demais não significa necessariamente conservar melhor.
O fruto precisa estar fisiologicamente preparado para continuar o amadurecimento depois de separado da planta.

Para indústria e mercado fresco, o ponto pode ser diferente – Quando o objetivo é a indústria, a qualidade do suco passa a ter peso ainda maior.
A publicação da Embrapa Maracujá: do cultivo à comercialização destaca que frutos com aproximadamente 65% da casca amarelada apresentam melhores valores de sólidos solúveis, acidez, relação SS/AT e rendimento de suco, sendo esse um ponto recomendado para a indústria.
Em determinadas condições de inverno no Norte Fluminense, entretanto, frutos podem ser colhidos com aproximadamente um terço da superfície amarelada, desde que já apresentem maturidade fisiológica adequada.
Isso mostra por que simplesmente copiar uma porcentagem de coloração de uma propriedade para outra pode levar a decisões erradas.
O ponto de colheita precisa considerar cultivar, época, mercado e tempo até a venda.
O que acontece quando o fruto é colhido verde demais? – O maracujá não possui uma grande reserva de amido para transformar posteriormente em açúcares. Por isso, colher o fruto em estádio muito precoce pode limitar sua evolução de qualidade depois da retirada da planta.
No trabalho com BRS Gigante Amarelo, BRS Ouro Vermelho e BRS Sol do Cerrado, os frutos mais imaturos apresentaram maior perda de massa e redução de características químicas importantes durante o armazenamento.
No BRS Gigante Amarelo, por exemplo, frutos maduros apresentaram 13,28 °Brix no estudo. O mesmo trabalho registrou 8,93 g de açúcares redutores por 100 mL nos frutos maduros, contra 5,59 g por 100 mL nos frutos colhidos no segundo estádio. A diferença não é apenas laboratorial.
Sólidos solúveis, acidez, rendimento de suco e relação entre açúcares e ácidos influenciam diretamente a qualidade percebida pelo consumidor e o desempenho industrial.
A Embrapa destaca que, para processamento, cor, sabor, aroma e rendimento de polpa estão entre os atributos mais importantes. Maior teor de sólidos solúveis e menor pH também podem favorecer o rendimento tecnológico do suco e reduzir a necessidade de acidificação.

A colheita deve ser feita com cuidado com o horário – Calor também é fator de perda. A Embrapa Acre recomenda realizar a colheita no período mais fresco do dia. Temperaturas elevadas associadas à baixa umidade relativa aumentam a perda de água e favorecem o murchamento, principalmente quando o fruto será vendido fresco.
Uma recomendação prática é organizar a equipe para concentrar a retirada dos frutos nas primeiras horas do dia, principalmente em períodos quentes e secos.
Isso reduz a exposição inicial ao estresse térmico e facilita o encaminhamento rápido dos frutos para a etapa seguinte.
A periodicidade também importa. A Embrapa recomenda, para determinadas condições de produção, realizar a coleta cerca de três vezes por semana, evitando que frutos permaneçam muito tempo no campo depois de atingir o ponto adequado.
O que fazer imediatamente depois da colheita? – A primeira regra é simples: não deixar o fruto esperando no campo sem necessidade.
Os frutos destinados ao mercado fresco devem ser protegidos de: sol direto; chuva; contato com o solo; impactos; compressão; superfícies sujas; temperaturas elevadas.
Na produção integrada, a Embrapa recomenda que os frutos sejam colocados imediatamente em contentores que possam ser higienizados e que reduzam o contato com o solo. Também são recomendados cuidados com higiene dos trabalhadores, equipamentos e caixas.
A rastreabilidade também pode entrar nessa rotina. Na produção integrada, os lotes devem ser identificados com informações como data de colheita, variedade, propriedade, parcela e responsável pela colheita.
Esse controle pode parecer burocrático no começo, mas ajuda a identificar onde estão ocorrendo perdas e facilita a organização comercial.
Higienização: uma etapa que não pode ser improvisada – Depois da chegada ao local de beneficiamento, os frutos devem ser selecionados e classificados.
Frutos com: danos mecânicos; sintomas de doenças; podridões; deformações severas; deterioração; devem ser separados do lote comercial.
A Embrapa recomenda lavagem e higienização antes da comercialização ou processamento e destaca a necessidade de utilizar água potável e solução sanitizante preparada de acordo com a recomendação técnica.
Um ponto importante: concentração de sanitizante não deve ser definida “no olho”.
A concentração correta depende do produto utilizado, concentração de cloro ativo, qualidade da água e protocolo adotado no beneficiamento.
Danos mecânicos podem custar caro – O maracujá tem uma casca que pode parecer resistente durante a colheita, mas impactos e abrasões prejudicam sua conservação.
Um arranhão produzido durante a colheita ou transporte pode não representar grande problema visualmente no primeiro momento. O problema aparece depois.
A lesão pode favorecer perda de água e entrada de patógenos.
A Embrapa destaca que a antracnose pode ocorrer também durante armazenamento, transporte e comercialização, podendo causar danos de até 39,8% dos frutos colhidos em determinadas condições.
Em outro estudo publicado na Revista Brasileira de Fruticultura, frutos mantidos por 13 dias a 25 ± 2 °C e 70-80% de umidade relativa, após 24 horas de câmara úmida, apresentaram elevada ocorrência de doenças pós-colheita. A antracnose chegou a 100% de incidência nos frutos avaliados, enquanto a podridão de Fusarium atingiu 25,5% no cultivo convencional e 19,0% no orgânico.
O número é um alerta importante: a sanidade do fruto no campo continua influenciando sua vida útil depois da colheita.

Embalagem: transportar bem também é produzir qualidade – Fruto a granel tende a sofrer mais danos.
A publicação da Embrapa aponta que frutos transportados a granel apresentam maior incidência de danos e, consequentemente, menor vida útil. Caixas plásticas favorecem ventilação e empilhamento, enquanto caixas de papelão podem proporcionar melhor acondicionamento e são utilizadas em mercados de maior valor.
A embalagem deve cumprir uma função simples: proteger o fruto sem criar outro problema.
Caixa excessivamente cheia, empilhamento inadequado e pressão entre frutos podem gerar abrasões e esmagamentos.
Por isso, o cuidado não termina quando o fruto entra na caixa.
Ele continua durante carregamento, transporte, descarga e exposição no ponto de venda.
Quanto tempo o maracujá pode ficar armazenado? – Depende da condição.
Em ambiente quente, a Embrapa relata que a vida útil do maracujá geralmente não ultrapassa duas semanas. Quanto mais maduro o fruto for colhido, menor tende a ser sua vida útil pós-colheita.
A refrigeração é uma das principais ferramentas para ampliar esse período.
Segundo a publicação da Embrapa, condições de 8 °C e 85% de umidade relativa foram consideradas favoráveis para conservação por até 26 dias em determinado estudo. Já a 12 °C, a vida útil caiu para cerca de 16 dias. Mas existe um detalhe importante: temperatura mais baixa não significa automaticamente melhor resultado em qualquer situação.
A refrigeração pode manter os frutos mais túrgidos e reduzir podridões, mas também pode retardar o amarelecimento da casca.
Por isso, o manejo deve considerar o destino comercial. Um fruto que será vendido rapidamente pode não exigir a mesma estratégia de armazenamento de outro que precisa percorrer longas distâncias.
E o armazenamento a 5 °C? – Um estudo publicado na Revista Brasileira de Fruticultura avaliou maracujá-amarelo embalado com filme de PVC e armazenado a 5 °C, durante 40 dias, com avaliações a cada 10 dias.
O filme reduziu a perda de massa e o enrugamento dos frutos. Entretanto, não impediu o desenvolvimento de patógenos por até 30 dias. Nas condições estudadas, os frutos apresentaram condições consideradas adequadas para comercialização por até 20 dias.
Isso ajuda a colocar a tecnologia no lugar certo.
Embalagem não substitui temperatura adequada, sanidade e manejo cuidadoso.
Ela é uma ferramenta complementar. Sugestão de imagem: fotografia de caixas de maracujá em câmara fria, com termômetro e higrômetro visíveis.
Atmosfera controlada pode ampliar ainda mais a conservação – Para operações que trabalham com maior estrutura logística, existem tecnologias mais avançadas.
A Embrapa cita resultados em que uma atmosfera com 5% de O? e 15% de CO?, associada à refrigeração, permitiu armazenamento por aproximadamente 30 dias, com acréscimo de nove dias a 13 °C em relação à condição de referência utilizada no estudo.
É uma tecnologia mais cara e, portanto, não necessariamente faz sentido para todo produtor.
Para grande parte das propriedades, o maior ganho está em medidas mais simples:
ponto correto de colheita + sombra + manuseio cuidadoso + seleção + embalagem adequada + temperatura controlada.
Cera ajuda ou pode atrapalhar? – Revestimentos com cera podem reduzir a perda de massa e melhorar a aparência dos frutos durante o armazenamento. Porém, não são uma solução universal.
A própria Embrapa alerta que o tratamento com cera pode provocar alterações indesejáveis na coloração da casca.
Um estudo publicado na Revista Brasileira de Ciências Agrárias também avaliou o uso de cera em maracujá-amarelo armazenado em condição ambiente, mostrando o interesse dessa estratégia para conservação.
Antes de adotar o tratamento em escala comercial, é necessário verificar se a tecnologia é compatível com a cultivar, o mercado e o padrão visual exigido pelo comprador.
O produtor precisa separar os frutos por destino – Nem todo fruto precisa seguir o mesmo caminho.
Uma estratégia comercial eficiente é separar os frutos de acordo com qualidade, tamanho, aparência e destino.
Mercado in natura/Priorizar frutos: uniformes; com boa coloração; sem ferimentos; sem manchas; sem sintomas de doenças; com boa aparência externa.
Indústria – Pode receber frutos que não atendem ao padrão visual do mercado fresco, mas ainda apresentam qualidade adequada para processamento.
A Embrapa recomenda justamente diversificar os compradores: frutos maiores e mais bonitos podem ser direcionados ao mercado in natura, enquanto frutos menores ou com problemas fitossanitários compatíveis com processamento podem seguir para a indústria.
Isso permite transformar parte do que seria descarte em receita.
Mas existe um limite: fruto com podridão ou deterioração não deve ser tratado simplesmente como matéria-prima industrial. A classificação precisa respeitar os padrões sanitários e de qualidade aplicáveis.
Um exemplo prático de manejo – Imagine uma propriedade que colhe 1.000 kg de maracujá.
Se os frutos forem colhidos muito verdes, sofrerem impactos e ficarem expostos ao sol durante várias horas, parte da produção chegará ao comprador com perda de massa, enrugamento e danos.
Agora imagine outra operação: colheita no início da manhã; seleção ainda no campo; frutos retirados diretamente da planta; caixas limpas e ventiladas; proteção contra sol; transporte rápido para o galpão; seleção e classificação; higienização adequada; embalagem compatível com o mercado; refrigeração quando a logística justificar. A diferença não está em uma tecnologia sofisticada. Está na soma de pequenas decisões.
E os estudos mostram que essas decisões podem alterar significativamente a perda de massa e o tempo de comercialização. No experimento com três cultivares BRS, por exemplo, frutos mais imaturos chegaram a apresentar perda de massa próxima de 9%, enquanto estádios mais avançados ficaram abaixo de 4% em determinadas condições e períodos de armazenamento.

Checklist para a colheita e pós-colheita do maracujá – Antes da colheita: Defina o destino: indústria ou mercado fresco. Observe a coloração da casca. Considere cultivar e época do ano. Organize caixas, equipamentos e transporte. Confira o período de carência dos produtos fitossanitários.
Durante a colheita: Prefira os horários mais frescos. Evite jogar ou derrubar os frutos. Não arraste frutos pelo chão. Evite pressionar a casca. Proteja a produção do sol e da chuva.
No beneficiamento: Faça seleção e classificação. Retire frutos doentes ou muito danificados. Utilize água potável. Prepare corretamente a solução sanitizante. Mantenha caixas, bancadas e equipamentos higienizados.
No armazenamento: Controle temperatura e umidade. Evite excesso de maturação. Reduza perda de água. Evite empilhamento que provoque compressão. Monitore podridões e enrugamento.
No transporte: Use embalagem adequada. Evite movimentações bruscas. Proteja os frutos do calor. Reduza o tempo entre colheita e entrega.
O ponto central é preservar o valor produzido no campo – Colher maracujá não significa apenas retirar o fruto da planta.
É o início de uma sequência de decisões que determina quanto daquela produção chegará ao consumidor com qualidade.
A pesquisa mostra que o ponto de maturação interfere na perda de massa e na qualidade do suco. A Embrapa mostra que temperatura, umidade, embalagem, higiene e manuseio interferem diretamente na conservação. E os estudos de pós-colheita deixam claro que doenças e danos mecânicos podem acelerar a perda de qualidade.
Para o produtor, a regra mais importante talvez seja esta: não espere a perda aparecer para começar a cuidar do fruto.
O manejo pós-colheita começa ainda na decisão de quando colher.
E, quanto melhor for essa decisão, maior será a chance de transformar qualidade de campo em produto comercial de maior valor.
Nota técnica: os valores de temperatura, umidade, vida útil e ponto de colheita apresentados acima são resultados de estudos realizados em cultivares e condições específicas. Eles devem ser usados como referência técnica, não como uma receita universal para todas as regiões, cultivares e cadeias de comercialização.
Fontes técnicas utilizadas: Embrapa Mandioca e Fruticultura. Maracujá: do cultivo à comercialização – capítulo sobre colheita e pós-colheita. Embrapa Acre. Cultura do Maracujazeiro no Estado do Acre – recomendações de colheita e manejo pós-colheita. Santos et al. (2013). Determinação do ponto de colheita de diferentes cultivares de maracujá. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 17, n. 7, p. 750-755. Rotili et al. (2013). Atividade antioxidante, composição química e conservação do maracujá-amarelo embalado com filme PVC. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 35, n. 4, p. 942-952. Pacheco et al. (2018). Conservação pós-colheita e qualidade dos frutos de maracujazeiro-amarelo de acordo com a adubação orgânica e mineral. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 40, n. 5. Campos et al. (2005). Tratamento hidrotérmico na manutenção da qualidade pós-colheita de maracujá-amarelo. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 27, n. 3. Estudo sobre doenças pós-colheita em maracujá-amarelo. Revista Brasileira de Fruticultura. *Daniel Vilar – Técnico Agrícola · Eng. Agrônomo/Especialista em Gestão do Agronegócio/Estrategista de Conteúdo AgricOnline e Rubisco – 31/08/26.

Abelhas também sofrem com o frio e há manejos especiais para o inverno – Controle da temperatura, nutrição e monitoramento de pragas são fundamentais para manter as colmeias saudáveis – O frio do inverno gaúcho demanda alguns cuidados específicos no manejo apícola. Com as temperaturas mais baixas, as abelhas saem menos das colmeias em busca de alimento, e a oferta de néctar e pólen diminui com a escassez de florações no período. A estação também exige atenção no monitoramento para o controle de pragas.
Em Passo do Sobrado, no Vale do Rio Pardo, Décio e Márcia Sehnen se dedicam à produção de abelhas rainhas, núcleos, enxames e mel. Com mais de 30 anos de experiência, o casal usa redutores de alvado elevados para manter a temperatura interna da colmeia, que deve ficar em torno de 35°C para possibilitar a saída das abelhas campeiras e a postura da rainha. A estrutura usada pelos apicultores possui 10 cm de altura, 2 cm de profundidade e espaço de 1 cm para a passagem do enxame.
Além do redutor de alvado, o casal aposta no uso de um poncho, uma cobertura plástica que ajuda a manter a temperatura dentro da caixa. O apicultor orienta para deixar apenas uma parte sem cobertura (aproximadamente 2 cm), e fazer o ajuste, se houver apenas uma parte do enxame na caixa, isolando os quadros conforme a quantidade de abelhas.
Outra estratégia adotada pelos produtores é o reforço nutricional quando há diminuição da reserva de mel e pólen na colmeia. Na alimentação energética, Décio e Márcia investem em açúcar seco e uma mistura líquida com água, açúcar, limão e extrato de própolis. Já a suplementação proteica é realizada com uma pasta caseira à base de levedura de cerveja, mel, óleo de girassol e outros ingredientes. O custo médio mensal com os dois suplementos é de R$ 3,50 por enxame.
Segundo o apicultor, a nutrição é fundamental para aumentar o tempo de vida do enxame.
“Uma abelha jovem, uma larva má nutrida, vai viver cerca de 34, 35, 36 dias. Já uma larva bem nutrida, uma abelha jovem bem nutrida, vive 50, 60 dias”, comenta Décio.
O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Vilson Pitton, também acentua que a alimentação mais adequada favorece a postura da rainha.
“Com o enxame maior, é possível manter a temperatura da colmeia. A maior população também é ideal para fazer a coleta de néctar e pólen no campo”, explica.
A quantidade de pasta proteica disponibilizada em cada caixa varia conforme o tamanho do enxame. Em média, os produtores ministram cerca de 125g a cada 15 dias para enxames pequenos. A pasta é coberta por um plástico e instalada acima dos quadros de postura; depois é coberta ainda pelo poncho, o que ajuda a proteger as abelhas e o alimento.
Além da nutrição e da temperatura, a Emater/RS-Ascar reforça a importância do monitoramento de pragas que afetam a produção.
“É necessário observar e fazer o controle de algumas pragas nesse período, como a traça e a formiga, que na nossa região estão entre os principais problemas identificados nos apiários”, finaliza o extensionista Vilson Pitton.
Fonte: Revista da Fruta *Matéria do Correio do Povo/RS – 26/06/2026.


