
Com 250 produtores e 1 mil hectares cultivados, Pinto Bandeira prepara os pomares de pêssegos para receber visitantes em agosto – Enquanto o inverno ainda predomina no Rio Grande do Sul, os primeiros sinais da próxima safra de pêssegos já começam a colorir os pomares de Pinto Bandeira, na Serra. A floração dos pessegueiros teve início no município que reúne cerca de 1 mil hectares cultivados e 250 produtores dedicados à cultura
As fortes precipitações registradas nos últimos dias não chegaram a afetar a florada, segundo a engenheira agrônoma, extensionista da Emater-RS/Ascar Juliana Pivato. “Teve queda natural das flores em função da chuva. Como os produtores iriam realizar o rateio, que é a retirada dos frutos para diminuir a carga da planta e produzir frutos com maior tamanho e qualidade, a chuva e o granizo que tivemos não afetou o pêssego até o momento.”

Floração de pessegueiros em Pinto Bandeira – Foto: Juliana Pivato/Emater/CP
Juliana explica que as flores aparecem nesta época do ano, por causa da presença de variedades precoces. “As variedades de ciclo médio estão no momento em plena floração”, destaca. Dependendo da variedade e da localização do pomar, a florada se estende durante o mês de agosto no Estado.
A engenheira agrônoma explica que, embora a floração ocorra em pleno inverno, ela depende justamente das baixas temperaturas registradas nessa época do ano. Segundo ela, o frio é essencial para que o pessegueiro supere o período de dormência e forme adequadamente as gemas que darão origem às flores e aos brotos na primavera. “Esse frio é medido, de forma convencional, pelo número de horas com temperatura igual ou inferior a 7,2°C”, diz.

Floração de pessegueiros em Pinto Bandeira – Foto: Juliana Pivato/Emater /CP
A especialista ressalta ainda que cada cultivar de pessegueiro tem uma necessidade diferente de frio. Há variedades de baixa exigência, que precisam de até 200 horas de temperaturas abaixo de 7,2°C, outras de exigência intermediária, entre 200 e 400 horas, e aquelas de alta exigência, que necessitam de mais de 400 horas. Por isso, a escolha da cultivar deve levar em conta as características de cada região para garantir boa adaptação e produtividade.
Para estimular que visitantes se dirijam ao município para contemplar as flores, está programado o Festival da Florada dos Pessegueiros, no dia 16 de agosto, das 11h às 16h. A localização exata do evento ainda não foi definida e será divulgada nos próximos dias. A entrada é gratuita e, entre as atrações estão música ao vivo, exposição e venda de artesanato, espumantes e culinária local. *Matéria do Correio do Povo/RS – Karina Reif – 31/07/2026.
Vinhos de inverno avançam no Brasil e safra 2026 deve crescer 15%/Setor projeta dobrar capacidade até 2030 com avanço do consumo interno – A colheita de uvas de inverno 2026 já começou em regiões fora do eixo tradicional da vitivinicultura brasileira e reforça a expansão do setor no país. Vinícolas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste iniciaram os trabalhos com expectativa de crescimento de 15% na safra, impulsionado pela ampliação das áreas de plantio.
Atualmente, 60 vinícolas associadas à Anprovin (Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno) cultivam cerca de 500 hectares de vinhedos. O avanço resulta da consolidação da técnica da Dupla Poda, adotada ao longo das últimas duas décadas e responsável por viabilizar a produção de vinhos finos em novas regiões brasileiras.
A colheita já ocorre na Chapada Diamantina (BA), com destaque para variedades como Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. No Centro-Oeste, produtores de Goiás e do Distrito Federal intensificam a colheita entre julho e agosto, com ampla diversidade de castas, incluindo Syrah, Chardonnay, Malbec, Tempranillo e Sangiovese. No Sudeste, estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo concentraram a colheita entre junho e julho, com uvas que já originaram rótulos premiados com mais de 90 pontos em guias internacionais.

Dupla Poda – A técnica da Dupla Poda, desenvolvida a partir de pesquisas iniciadas em 2000 pelo pesquisador Murilo Regina, inverte o ciclo da videira com duas podas anuais. Esse manejo direciona a colheita para o inverno, período marcado por clima seco, maior insolação e menor incidência de doenças, fatores que favorecem a maturação fenólica e elevam a qualidade das uvas.
O setor apresenta forte presença de propriedades familiares, que representam cerca de 90% das vinícolas associadas. Esse perfil estimula a diversificação produtiva em áreas tradicionalmente ocupadas por café, grãos e pecuária leiteira. Além de fortalecer a sucessão familiar e a sustentabilidade no campo.
A qualidade da produção também se apoia em investimentos em tecnologia e controle. O Centro de Análises e Pesquisa da Anprovin/ABDI, em Brasília, recebeu aporte de R$ 3,4 milhões e atua na certificação dos vinhos. O selo da entidade garante rastreabilidade, altitude, lote e origem das uvas.

Colheita das uvas de inverno está em andamento em Andradas/MG
Em 2025, os associados produziram cerca de 1,5 milhão de garrafas. Além disso, há aproximadamente 100 novos projetos em desenvolvimento nessas regiões, elevando a área potencial para mais de 1.000 hectares. A expectativa do setor é dobrar a capacidade produtiva até 2030, acompanhando o crescimento do consumo de vinho no Brasil.
Novos investimentos – Segundo o presidente da Anprovin, Claudio Góes, o aumento da demanda interna tem incentivado novos investimentos e fortalecido toda a cadeia produtiva. O avanço da safra 2026 também acompanha o reconhecimento internacional dos vinhos de inverno brasileiros, que ganham espaço pela qualidade e pelo diferencial tecnológico. Mais https://anprovin.com.br/
Para produtores rurais com condições favoráveis, como altitude, solo bem drenado e inverno seco, a vitivinicultura de inverno se consolida como alternativa rentável e estratégica. Além da produção, o setor impulsiona o enoturismo e contribui para o desenvolvimento econômico de pequenas cidades brasileiras.
*AgroEmCampo – Henrique Rodarte – 02/08/2026.
Fonte: Revista da Fruta



