Fruticultura do Estado ganhou o equivalente a 58 campos de futebol
Famosa especialmente pelo café, pelos grãos e pelo leite, a agropecuária mineira registra expansão também em outra frente: a das frutas. A fruticultura mineira teve avanço de 29% na área plantada em uma década, entre 2015 e 2025, com um salto de 138 mil para 179 mil hectares, segundo dados compartilhados nesta semana pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater–MG). Em comparação, é como se o estado tivesse ganhado 58 mil novos campos de futebol com plantio de frutas nesse período.
Ainda que elas não sejam as maiores protagonistas da carteira de produção do estado, a área dedicada a frutas em Minas teve um crescimento superior ao de culturas tradicionais. O café avançou 17%, e o milho, ao contrário, recuou 15%, de acordo com a Emater-MG.
Para o coordenador de fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, o crescimento da fruticultura é reflexo de hábitos que ultrapassam o campo. “As pessoas estão procurando saúde, e a fruta está sendo uma das recomendações. A fruticultura pode ser uma opção a mais para o produtor, inclusive sem concorrer com outras atividades da propriedade”, pontua, em nota à imprensa.
A analista de assistência técnica e gerencial da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg Senar) Jaqueline Santos também reforça programas governamentais que ampliaram a demanda, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Existem dois lados. De um, o produtor enxerga oportunidades, como a questão territorial e climática, e do outro temos o mercado consumidor, buscando uma vida um pouco mais saudável”, diz ela.
Soma-se a isso a posição estratégica de Minas, próximas a grandes centros consumidores, além de seis entrepostos da CeasaMinas para facilitar a distribuição. As frutas também são favorecidas pelas condições naturais do estado, que é influenciado por diferentes tipos de clima, o que permite um cultivo variado, com espécies tropicais, subtropicais e temperadas. No Norte de Minas, destacam-se banana e limão. No Triângulo Mineiro, a produção de laranja e abacaxi. Já regiões como Sul de Minas, Zona da Mata, Central, Campos das Vertentes e Leste apresentam produção mais variada.
Hoje, a laranja ocupa a maior área no estado, e entre 2015 e 2025, teve um crescimento de 42,6 mil para 67,2 mil hectares, um boom de 57%. Mais discreto, o aumento da área da banana, segunda principal cultura frutífera de Minas, foi de 17%, variação de 46,2 mil para 54,2 mil hectares. O abacate tem uma área plantada menor do que as duas – 12,9 mil hectares – mas foi a fruta com maior expansão nesse período, registrando alta de 374% em dez anos.
Santos avalia que ainda é possível expandir a produção em todas as regiões do estado, mas defende que, além dos números positivos de área, é necessário estar atento ao bolso dos produtores. “Não é só expandir por expandir. Temos que aproveitar para melhorar e produzir com mais qualidade e sustentabilidade, expandir de forma saudável econômica e ambientalmente”, conclui.
Aumento não exclui desafios no campo
Produtor de bananas no Norte de Minas e consultor do mercado, Rodolpho Rebello confirma a expansão da área de plantio na região na última década, mas pondera que os desafios dos últimos anos podem frear o movimento. “A situação está muito crítica, com custos mais caros e preços muito baratos no mercado”, diz.
Ele acentua o custo em dólar dos fertilizantes, afetados duramente desde o início da guerra da Ucrânia, da irrigação e, especialmente, do diesel. Com os mercados concentrados no Rio de Janeiro e em São Paulo, distantes do Norte de Minas, ele explica que a alta do combustível sufoca os produtores, que dependem do transporte rodoviário.
“Tem produtores abandonando a atividade. É um crescimento que ocorreu baseado em financiamentos bancários, e os juros muito altos fizeram o produtor entrar em dificuldades”, arremata.
Fonte: O Tempo



