
Petrolina transformou a caatinga em vinhedos irrigados pelo Rio São Francisco. / Imagem ilustrativa
A cidade que fez o sertão virar vinhedo
A história começa na década de 1960, quando projetos de irrigação inspirados em experiências do Arizona e de Israel chegaram ao Vale do São Francisco. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) implantou os primeiros perímetros irrigados. Com mais de 3 mil horas de sol por ano, baixa umidade e temperaturas estáveis, o ciclo da videira na região se encurtou para cerca de quatro meses, permitindo colheitas sucessivas ao longo do ano.

Os vinhos tropicais que ganharam selo de origem
Em 2022, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu a Indicação de Procedência Vale do São Francisco para vinhos e espumantes, conforme registrado pela Embrapa. Foi a primeira indicação geográfica de vinhos tropicais do mundo. Castas como Syrah, Tempranillo e Moscato produzem rótulos originais, diferentes de qualquer vinho do Sul do país.
Como é o dia a dia na “Califórnia do Sertão”?
A cidade cresceu rápido e hoje tem estrutura de centro urbano consolidado. Shoppings, universidades, hospitais e voos diretos para São Paulo, Brasília, Recife e Salvador fazem parte da rotina. A Ponte Presidente Dutra liga Petrolina a Juazeiro, na Bahia, formando uma conurbação que ultrapassa 600 mil moradores.

O que fazer entre o rio e a caatinga?
Petrolina mistura lazer fluvial, enoturismo e gastronomia sertaneja. Os passeios podem ser distribuídos em dois ou três dias sem repetir experiência.
- Ilha do Rodeadouro: praia de água doce com areia clara, acessível de barco 24 horas. Bares e restaurantes servem peixe do São Francisco assado na folha de bananeira.
- Vapor do Vinho: passeio de catamarã pelo Lago de Sobradinho com parada para banho, almoço regional e visita guiada a uma vinícola com degustação.
- Vinícola Rio Sol: em Lagoa Grande, a 40 km. O roteiro inclui caminhada pelos parreirais, visita à adega e degustação de espumantes à beira do rio.
- Bodódromo: complexo gastronômico ao ar livre com nove restaurantes e 23 quiosques. Bode assado, carneiro cozido, carne de sol e vinhos da região, segundo a Prefeitura.
- Museu do Sertão: fósseis pré-históricos, objetos de Lampião e réplica de casa sertaneja do século XVIII.
- Catedral do Sagrado Coração de Jesus: templo gótico com 57 vitrais, uma das maiores igrejas do interior pernambucano.
O que comer na capital do São Francisco?
A mesa petrolinense une o sertão ao rio. Bode, carneiro e carne de sol dividem espaço com peixes do Velho Chico e frutas frescas colhidas nas fazendas irrigadas.
- Bode assado ou cozido: prato símbolo da cidade, servido com feijão de corda, arroz, macaxeira e farofa.
- Peixe na folha de bananeira: receita típica das ilhas fluviais, com peixes do São Francisco.
- Carne de sol com macaxeira: presença obrigatória nos restaurantes do Bodódromo e da orla.
- Vinhos do Vale: Syrah, Moscato e espumantes das vinícolas locais harmonizam com a culinária sertaneja.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O sol domina o ano inteiro em Petrolina. A chuva é rara e concentrada entre novembro e março. Entre junho e novembro, o clima fica ainda mais seco, período ideal para visitar as vinícolas.
☀️ Verão
Dez – Fev
23-35 °C
Temperatura
🍂 Outono
Mar – Mai
22-33 °C
Temperatura
❄️ Inverno
Jun – Ago
20-32 °C
Temperatura
🌸 Primavera
Set – Nov
22-35 °C
Temperatura
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao sertão que produz vinho?
O Aeroporto Senador Nilo Coelho (PNZ) recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Recife e Salvador. De carro, Petrolina fica a 712 km de Recife pela BR-232 e BR-110 (cerca de 8 horas) e a 500 km de Salvador pela BR-324 e BR-407.
A cidade que transformou a caatinga em vinhedo
Petrolina é a prova de que o semiárido pode surpreender. A cidade fez do sol forte e da água do São Francisco a matéria-prima de uma transformação que colocou vinhos tropicais no mapa do mundo, frutas brasileiras nas prateleiras da Europa e bode assado na mesa de quem cruza a ponte sobre o Velho Chico.
Você precisa ver o pôr do sol no rio, brindar com um espumante colhido no sertão e entender por que Petrolina já não cabe na imagem que o Brasil faz do semiárido.
Fonte: Correio Brasiliense



