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Exportações de maçã crescem mais de 220% no primeiro semestre e impulsionam desempenho da fruticultura brasileira

 

Resultado reforça o avanço das exportações de frutas brasileiras em 2026; maior safra da história da maçã elevou a oferta para o mercado externo, apesar dos desafios logísticos e geopolíticos

O desempenho histórico das exportações brasileiras de frutas no primeiro semestre de 2026 teve na maçã um de seus principais destaques. Levantamento da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) aponta que os embarques da fruta cresceram 225,11% em volume e 223,55% em valor na comparação com o mesmo período de 2025. Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 42,8 mil toneladas de maçã, gerando US$ 44,4 milhões em divisas, resultado que contribuiu de forma significativa para o recorde das exportações brasileiras de frutas no semestre.

Segundo a Abrafrutas, o desempenho confirma a capacidade da fruticultura brasileira de ampliar sua presença no mercado internacional por meio de investimentos em tecnologia, qualidade e diversificação de mercados. Para explicar os fatores que impulsionaram especificamente a cultura da maçã, a entidade ouviu a Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM).

De acordo com o diretor executivo da ABPM, Moisés Albuquerque, o crescimento é consequência direta da safra 2025/2026, considerada a maior já registrada pela cadeia produtiva brasileira.

“Após dois anos de safras muito pequenas, impactadas por fatores climáticos, a safra 2025/2026 é simplesmente a maior da nossa história. Tivemos um aumento significativo da produção, com excelente qualidade, característica da maçã brasileira. Isso permitiu ampliar de forma expressiva nossa presença tanto no mercado interno quanto no mercado internacional.”

Apesar do avanço histórico, Albuquerque destaca que o potencial de crescimento poderia ter sido ainda maior.

“Nossa expectativa era exportar mais. Tínhamos condições de dobrar e, eventualmente, até triplicar esse volume. O principal fator que limitou esse desempenho foi o conflito no Oriente Médio, um mercado extremamente importante para a maçã brasileira.”

Segundo ele, os impactos da guerra ultrapassaram a redução das vendas para a região. “Parte expressiva do volume que deixou de ser exportado ao Oriente Médio por países concorrentes do Brasil foi redirecionada para outros importantes mercados onde também atuamos, intensificando muito a concorrência. Além disso, o conflito trouxe problemas logísticos importantes, inclusive com escassez de contêineres, o que dificultou os embarques. Em um cenário sem esses entraves, poderíamos ter registrado um dos maiores volumes de exportação da nossa história.”

Mesmo diante desse contexto, a diversificação dos mercados permitiu manter o forte ritmo das vendas externas. A Índia permaneceu como principal destino da maçã brasileira no semestre, seguida pela Arábia Saudita e pela Rússia, que, segundo a ABPM, apresenta grande potencial de crescimento. A fruta também foi exportada para países da União Europeia, Reino Unido, América do Sul e América Central.

“Os mercados da maçã brasileira são bastante diversificados e essa carteira de destinos tende a aumentar ainda mais no próximo ano.”

Esse perfil diversificado, segundo a associação é um dos fatores que vêm fortalecendo a competitividade da fruticultura brasileira e reduzindo a dependência de mercados específicos.

As perspectivas para o segundo semestre, entretanto, seguem a sazonalidade do mercado mundial da maçã. Como mais de 90% da produção global está concentrada no Hemisfério Norte, período em que ocorre a colheita entre julho e dezembro, a janela para exportação da fruta brasileira diminui significativamente.

As exportações brasileiras de maçã, segundo Albuquerque, ficam concentradas no primeiro semestre. No segundo semestre, os embarques representam apenas uma pequena fração do volume exportado, já que os principais mercados consumidores também passam a colher sua própria produção.

O diretor executivo da ABPM destaca que o cenário atual é reflexo do trabalho realizado ao longo dos últimos anos. “O setor está colhendo os resultados dos investimentos feitos em pomares de alta tecnologia e elevada densidade, que proporcionam mais produtividade e qualidade. Esse movimento de crescimento das exportações é consistente e tende a se intensificar nos próximos anos. Temos desafios pela frente, mas já demonstramos que temos todas as condições para enfrentá-los e superá-los”, conclui.

O desempenho da maçã simboliza o momento vivido pela fruticultura brasileira, que vem ampliando sua competitividade internacional. Na avaliação da Abrafrutas, o crescimento observado em diferentes culturas demonstra que os investimentos em tecnologia, sustentabilidade e abertura de mercados continuam a gerar resultados positivos para o setor.

Por: Telma Martes, comunicação Abrafrutas