ENTRE EM CONTATO

+55 61 4042-6250

Maracujá silvestre da Embrapa ganha espaço no campo

Leia também: Como o controle biológico está transformando o cultivo de pitaya

Maracujá silvestre da Embrapa ganha espaço no campo

 

Desenvolvida pela Embrapa, a variedade de maracujá silvestre BRS Pérola do Cerrado vem se destacando pelo alto valor agregado, resistência a doenças e potencial para sistemas orgânicos e agroecológicos – Uma cultivar ainda pouco conhecida fora dos nichos especializados começa a chamar atenção de produtores e agroindústrias no Brasil. Desenvolvida pela Embrapa, a variedade de maracujá silvestre BRS Pérola do Cerrado vem se destacando pelo alto valor agregado, resistência a doenças e potencial para sistemas orgânicos e agroecológicos.

A cultivar pertence à espécie Passiflora setacea e foi desenvolvida após quase 20 anos de pesquisa por melhoramento genético tradicional. Inicialmente recomendada para o Cerrado, a BRS Pérola do Cerrado já apresenta bons resultados em diferentes regiões do país, especialmente em áreas com altitude entre 250 e 1.100 metros e sem ocorrência de geadas.

O fruto possui tamanho menor que o maracujá-azedo tradicional, com peso entre 50 g e 120 g, casca verde-amarelada com listras escuras e polpa amarelo-creme. O sabor é mais adocicado e menos ácido, característica que amplia o interesse da indústria de sucos, sorvetes, doces e também do mercado de frutas especiais para consumo in natura.

Além da qualidade sensorial, a cultivar chama atenção pela composição nutricional. Segundo dados da Embrapa, a polpa apresenta bons níveis de fibras, proteínas e minerais como magnésio, ferro, fósforo e zinco. Também possui elevada concentração de compostos antioxidantes, como fenólicos e aminas bioativas, associados à prevenção de doenças degenerativas e fortalecimento imunológico.

Outro diferencial importante está no campo. Por ser uma espécie silvestre, a BRS Pérola do Cerrado apresenta alta resistência a doenças como virose, bacteriose, antracnose e morte precoce, problemas comuns em lavouras comerciais de maracujá. Isso reduz a necessidade de aplicações frequentes e torna a variedade interessante para produção orgânica.

A produtividade também chama atenção. Em condições do Distrito Federal, a cultivar alcançou de 10 a 25 toneladas por hectare ao ano, mesmo sem polinização manual. O potencial produtivo aumenta quando o produtor utiliza condução em latada, espaldeiras com mais fios e reforço nutricional com cálcio, magnésio, boro e enxofre.

Na prática, a variedade pode abrir novas oportunidades para pequenos produtores e propriedades familiares que buscam diversificação e venda de frutas diferenciadas. Além da comercialização da fruta, a planta possui forte apelo ornamental por conta das flores brancas e da ramificação intensa, podendo ser utilizada em turismo rural, paisagismo e sistemas agroecológicos.

A Embrapa destaca ainda que o cultivo exige alguns cuidados específicos. Assim como o maracujá comercial, a BRS Pérola do Cerrado é autoincompatível. Isso significa que é necessário plantar pelo menos duas plantas para garantir a fecundação cruzada e a produção de frutos.  Mais informações no link: https://sgp-cpac.nuvem.ti.embrapa.br/lancamentoperola/

Se você pretende investir em frutas especiais ou produção orgânica, vale avaliar o potencial da BRS Pérola do Cerrado na sua região. Antes do plantio, faça análise de solo, priorize áreas bem drenadas e planeje irrigação e condução adequada das plantas para aproveitar o máximo potencial produtivo da cultivar.

Como o controle biológico está transformando o cultivo da pitaya/Epagri desenvolve manejo sustentável para safra recorde – A aposta na pitaia como alternativa para diversificar a produção agrícola em Santa Catarina já apresenta resultados expressivos. Com uma projeção de colheita de 7,6 mil toneladas para 2026, a fruta rústica de origem centro-americana encontrou no litoral catarinense o ambiente ideal para prosperar. Esse crescimento, no entanto, trouxe novos desafios: o surgimento de pragas com a comercialização da cultura.

Os pesquisadores Marcelo (à esquerda) e Alessandro (centro) trabalham juntos para aperfeiçoar a produção de pitaia no Estado. Foto: Divulgação/Epagri

Para enfrentar o problema, pesquisadores da Epagri em Itajaí desenvolvem, desde 2016, um conjunto de conhecimentos pioneiros focado no controle biológico e manejo sustentável. Como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) praticamente não possui defensivos registrados para a pitaia, a solução reside na manipulação do ambiente e no equilíbrio ecológico.

Identificação de pragas e soluções criativas – O entomologista Marcelo Mendes de Haro identificou 19 potenciais pragas nos pomares, incluindo percevejos, caracóis, besouros e formigas. Os percevejos, atraídos por lavouras de grãos vizinhas, são os principais vilões, pois sugam a seiva e prejudicam a aparência comercial dos frutos.

Para proteger a produção, os pesquisadores recomendam técnicas que evitam o uso de produtos químicos: Ensacamento de frutos: o uso de sacos de TNT reduz as lesões causadas por insetos em até 65%; Cobertura do solo: o plantio de amendoim-forrageiro no verão e um mix de sementes no inverno mantém o ecossistema equilibrado; Quebra-ventos biológicos: plantas como hibiscos, manacás e até bananeiras atraem pragas para longe da pitaia ou abrigam predadores naturais.

A pesquisa também destaca a importância da preservação da abelha-irapuá. Por ser uma espécie polinizadora protegida por lei, o manejo dispensa inseticidas ou a retirada de ninhos.

A formiga cortadeira é uma das pragas que mais causam danos às frutas

O futuro da pitaya catarinense – Além do manejo de pragas, a Epagri investe no melhoramento genético. O pesquisador Alessandro Borini Lone lidera um projeto que avalia 80 híbridos de pitaia. O objetivo é selecionar, até 2027, variedades adaptadas ao clima e solo do estado que ofereçam frutos com maior dulçor, tamanho e cor atraente. Atualmente, oito materiais promissores já estão em fase de teste.

Para que a informação chegue ao campo, a Epagri lançou diversas publicações técnicas desde 2020. Materiais como o boletim “Cultivo de Pitaia” e livros especializados orientam produtores sobre adubação, polinização e sistemas de plantio direto.

Extensionistas e pesquisadores realizam visitas técnicas e “Dias de Campo” constantemente. Assim, capacitando agricultores em todo o estado para garantir que a pitaia se consolide como uma fonte de renda sustentável e lucrativa para as famílias rurais de Santa Catarina. *AgroEmCampo/Henrique Rodarte – 25/05/2026.

Fonte: Revista da Frutas