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Um novo estudo revela que o oídio nos morangos começa no inverno

Essa descoberta é fundamental: quando o produtor observa os primeiros sintomas de oídio nos morangos, o processo infeccioso já está em desenvolvimento há semanas, o que explica a disseminação da doença em condições

Um inimigo silencioso que se instala antes da época da colheita – O oídio em morangos (Podosphaera aphanis) é uma das doenças mais importantes em nível global, capaz de causar perdas de produção de até 70%, afetando diretamente a qualidade dos frutos, a fotossíntese e a rentabilidade da cultura. No entanto, pesquisas recentes publicadas na Frontiers in Agronomy propõem uma mudança profunda na forma como entendemos sua epidemiologia: a doença não começa quando os sintomas aparecem, mas muito antes, durante o inverno.

Embora os oídios sejam conhecidos como patógenos biotróficos obrigatórios – ou seja, necessitam de tecido vivo para se desenvolverem -, esse comportamento não impede sua capacidade de sobreviver ao inverno. No caso do oídio do morangueiro, o patógeno não permanece ativo em folhas mortas, mas sobrevive em estruturas resistentes chamadas casmotécios, que contêm esporos e podem permanecer viáveis ??em restos vegetais sem um hospedeiro ativo. O estudo demonstra que essas estruturas atuam como uma fonte primária de inóculo na primavera, reativando-se quando as condições ambientais são favoráveis, o que explica por que o material vegetal infectado da safra anterior desempenha um papel fundamental no surgimento da doença. 

Essa descoberta é fundamental: quando o produtor observa os primeiros sintomas de oídio nos morangos, o processo infeccioso já está em desenvolvimento há semanas, o que explica a rápida disseminação da doença em condições favoráveis. 

O papel crucial do inóculo de inverno na pressão da doença – Uma das contribuições mais significativas do estudo é a quantificação do impacto do inóculo de inverno na dinâmica do oídio em morangos. Em condições de macrotúnel, os pesquisadores demonstraram que a simples remoção de folhas infectadas e restos de plantas antes da brotação atrasou o início da doença e reduziu significativamente sua severidade.

Os resultados são conclusivos: a remoção completa do tecido infectado reduziu a gravidade da doença em até 88% e a incidência nas folhas em mais de 60%, além de diminuir a infecção nos frutos em 70%.

Esse efeito não apenas retarda o aparecimento dos sintomas, mas também reduz a pressão geral da doença ao longo da temporada. De uma perspectiva epidemiológica, isso confirma que o nível inicial de inóculo é um fator determinante na magnitude do problema subsequente.

Além disso, o estudo descarta o substrato como uma fonte relevante de infecção primária, uma vez que a presença de casmotécios em restos incorporados ao substrato não teve um impacto significativo no início da doença. 

Condições ambientais que ativam a infecção na primavera – O estudo também identifica com precisão as condições ambientais que desencadeiam o início das infecções na primavera. A liberação de ascósporos dos casmotécios ocorre quando há várias horas consecutivas de temperaturas acima de 10°C combinadas com pelo menos duas horas contínuas de umidade foliar.

No estudo, os primeiros eventos de liberação de esporos coincidiram com acúmulos de 18 a 21 horas nessas condições, o que subsequentemente levou ao aparecimento de sintomas aproximadamente uma semana depois.

Isso tem implicações diretas para o manejo do oídio em morangos, pois permite antecipar os períodos de maior risco de infecção e ajustar os programas de controle com base nas condições reais do campo, em vez de reagir apenas à presença de sintomas visíveis.

Além disso, observou-se que a formação de casmotécios no verão está associada a temperaturas abaixo de 13 °C, sugerindo que as estações mais frias podem aumentar a carga de inóculo para o ciclo seguinte. 

Idade da folha: um fator chave na disseminação do patógeno – Outro aspecto relevante do estudo é a relação entre a idade da folha e a dinâmica da infecção. Constatou-se que as folhas jovens, especialmente aquelas com idade entre 10 e 15 dias, apresentam a maior taxa de infecção, atingindo valores próximos a 0,5 lesões por dia em condições favoráveis.